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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Bairro do Telégrafo tem rádio poste a mais de 60 anos


Telégrafo Sem Fio, popularmente conhecido como “o bairro do Telégrafo”, é conhecido, essencialmente, por suas características familiares, tendo por peculiaridades a presença de pequenos mercados, feiras, comércios, mercantis, centros históricos, colégios estaduais e entre outros locais predominantemente passados de geração em geração. À alguns anos o bairro tem deixado de ser considerado periférico, passando a ser um local promissor, onde já encontram-se grandes supermercados, farmácias e comércios de grandes variedades.
O bairro São João do Bruno – como era denominado antigamente – passou a ser chamado como Telégrafo quando um “Telégrafo Sem Fio” foi instalado no local. Sua principais ruas e avenidas são Senador Lemos, Curuçá, uma parte da 14 de março e Pedro Álvares Cabral. Embora não seja tão conhecido quanto outros centros históricos, o bairro aloca lugares como referências para a história da cidade de Belém, como o prédio da Universidade Estadual do Pará (UEPA), localizado na Travessa Djalma Dutra, onde, inicialmente, tinha como intuito ser uma penitenciária estadual; e um grande núcleo cultural, nominado como Curro Velho, instituição de arte e educação, a qual atende pessoas e estudantes da comunidade do Telégrafo e de escolas públicas, majoritariamente.
As qualidades do bairro são indispensáveis, principalmente por sua diversidade cultural, pela sua caraterística predominantemente familiar, inúmeros pontos comerciais, praças, restaurantes, bancos, supermercados, correios, supercenter, farmácias etc. No entanto, é nítido o crescimento da violência no local, com um quadro crescente do número de assaltos, onde os principais alvos dos criminosos são pedestres, farmácias e lojas, principalmente no centro comercial. Segundo os moradores, o policiamento ainda deixa a desejar, mesmo havendo delegacias perto dos locais mais visados pelos infratores, já a polícia afirma que estas estatísticas não apontam alto índice de criminalidade no bairro, mas é inegável o crescimento do mesmo.

Mapeamento de comunicação comunitária no bairro do Telégrafo Sem Fio. 


Rádio poste Publicidade Brasil
No bairro do Telégrafo, encontram-se vários tipos de práticas de comunicação, dentre eles estão rádios postes, carros-sons, bicicletas-sons, panfletagem, banners, outdoors etc., comumente utilizados pelos anunciantes que investem e comercializam no local, o qual é predominantemente periférico, tradicional e de classe social baixa.
Sabe quando você anda pelas ruas e ouve vozes, anúncios e musicas saindo de algum lugar desconhecido e quando olha para cima se depara com aquelas caixinhas de som gritando por atenção e clamando por não serem esquecidas? Pois é, essas “caixinhas”, que eram conhecidas como rádio cipó, ainda insistem em permanecer em alguns bairros da cidade de Belém, atualmente cercada por outros tipos de comunicação que prioriza um alcance de pessoas com maior raio de distância.

Foto 1 - A rádio Publicidade Brasil, atuante e inaugurada no bairro a mais de 60 anos.

A rádio Publicidade Brasil (fotos 1 e 3), existente a mais de 60 anos e localizada na travessa Coronel Luís Bentes, próximo a feira do Telégrafo, centro comercial do bairro, é responsável em levar as notícias, músicas e propagandas para os moradores do bairro do Telégrafo Sem Fio. O proprietário, Otoniel Campos, comprou a rádio na década de 90 e até hoje a mantem com muita dedicação juntamente com seu filho Eduardo (foto 2).

Foto 2 - Eduardo, filho do atual proprietário da rádio, ajuda o pai na execução das programações.

Otoniel sempre trabalhou com som, antes de assumir a rádio, montava aparelhagens, mas deixou o ramo e passou a se dedicar para o meio de comunicação de poste. O filho, Eduardo, auxilia o pai no trabalho, e afirma que o principal objetivo da “rádio cipó” é atender a comunidade, que, a muitos anos, conta com o meio para anunciar objetos e animais perdidos, dedicar canções, divulgar eventos, horário de celebrações religiosas etc.

Foto 3 - A estrutura da Publicidade Brasil dispensa luxo, mas está sempre pronta para atender a comunidade, no quadro, o atual proprietário, Sr. Otoniel Campos.

A forma de comunicação comunitária também é alvo de comerciantes e lojistas que tem seus pontos de venda na feira do Telégrafo e pretendem alcançar os moradores da redondeza. A Prefeitura Municipal de Belém também anuncia todos os dias através da mesma. Por ter como principal objetivo  assistir a sociedade, o anunciador não cobra na maioria dos pedidos e anúncios avulsos, como perda de documentos, mas o preço para utilizar o meio como divulgação e proclamação vária entre R$ 5,40 até R$ 1.101,60/mensais, dependendo da duração da publicidade ou o tipo desta.
A Publicidade Brasil possui diplomas de Consagração Pública, que declara destaque na preferência e simpatia popular de acordo com a pesquisa de opinião pública realizada na cidade. A rádio tem 70 canais (caixas de som em postes), espalhadas pelo bairro do Telégrafo, as quais abrangem a Feira do Telégrafo, Feira do Barreiro, Avenida Visconde de Souza Franco (Doca) e Avenida Senado Lemos até a Ponte do Galo. Seu horário de funcionamento vai de segunda a sexta, das 08h00 ao 12h00 e de 16h00 as 18h00, e aos sábados das 08h00 até as 12h00.

Foto 4 - A "caixinha" determina a presença da rádio poste no bairro do Telégrafo (Localização: Tv. Coronel Luís Bentes).
Eduardo afirma que muitas caixas já foram tiradas do bairro por reclamações de moradores, principalmente idosos, por o bairro sediar hospitais e maternidades e também pelo descaso e desvalorização do meio pela sociedade que hoje tem encontrado outras formas de comunicar-se. No entanto, ainda existem pessoas que vão até a rádio pedir para que sejam anunciados seus interesses, e, por ser um bairro historicamente familiar e com tradições de vizinhanças e laços de amizades, poucos telefonam para Publicidade Brasil, eles preferem ir pessoalmente e satisfazer suas intenções em preservar essa comunicação a tempos esquecida e desprezada por muitos.